quinta-feira, 30 de abril de 2015

Lampião, o Rei do Cangaço.

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BENJAMIM ABRAÃO APERTANDO A MÃO DE LAMPIÃO, AO LADO MARIA BONITA
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O BANDO EM 1936 

Por Jaqueline Aragão Cordeiro.

28 de julho de 1938. Chega ao fim a trajetória do mais popular cangaceiro do Brasil. Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, foi morto na Grota do Angico, interior de Sergipe. Por sua inteligência e destreza, Lampião até hoje é considerado o Rei do Cangaço. Virgulino Ferreira da Silva nasceu em 1897, na comarca de Vila Bela, região do Vale do Pajeú, Estado de Pernambuco. Dos 9 irmãos, Virgulino foi um dos poucos a se interessar pelas letras. Frequentava as aulas dadas por mestres-escolas que se instalavam nas fazendas. No sertão castigado por secas prolongadas e marcado por desigualdades sociais, a figura do coronel representava o poder e a lei. Criava-se desta forma um quadro de injustiças que favorecia o banditismo social. Pequenos bandos armados, chamados cangaceiros, insurgiam-se contra o poder vigente e espalhavam violência na região.

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 LAMPIÃO E ANTONIO FERREIRA (SEU IRMÃO) /  CORISCO E ROXINHO

Eram freqüentes, também, os atritos entre famílias tradicionais devido as questões da posse das terras, as invasões de animais e as brigas pelo comando político da região. Num desses confrontos, o pai de Lampião foi assassinado. Para vingar a morte do pai, entre outros motivos, Lampião entra para o cangaço, por volta de 1920.

  
A princípio segue o bando de Sinhô Pereira. Mostrando-se hábil nas estratégias de luta, assume a chefia do bando em 1922, quando Sinhô Pereira deixa a vida do cangaço. Lampião e seu bando vivem de assaltos, da cobrança de tributos de fazendeiros e de "pactos" com chefes políticos.

LAMPIÃO VESTIDO COM A FARDA DO "BATALHÃO PATRIÓTICO" (JUAZEIRO 1926, FOTO DE LAURO CABRAL)
Praticam assassinatos por vingança ou por encomenda. Pela fama que alcança, Lampião torna-se o "inimigo número um" da polícia nordestina. Muitas são as recompensas oferecidas pelo governo para quem o capture. Mas as tropas oficiais sempre sofrem derrotas quando enfrentam seu bando.

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AZULÃO E ENEDINA, DADÁ E SABONETE / INACINHA E GATO

Como a polícia da capital não consegue sobreviver no sertão árido, surgem as unidades móveis da polícia, chamadas Volantes. Nelas se alistam os "cabras", os "capangas" familiarizados com a região. As volantes acabam tornando-se mais temidas pela população do que os próprios cangaceiros.

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Além de se utilizarem da mesma violência no agir, ainda contam com o respaldo do governo. Lampião ganha fama por onde passa. Muitas são as lendas criadas em torno de seu nome. Por sua vivência no sertão nordestino, em 1926, o governo do Ceará negocia a entrada de seu bando nas forças federais para combater a Coluna Prestes. Seu namoro com a lei dura pouco. Volta para o cangaço, agora melhor equipado com as armas e munições oferecidas pelo governo.

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MARIA BONITA E CORISCO "O DIABO LOIRO"

Em 1930, há o ingresso das mulheres no bando. E Maria Déia, a Maria Bonita, torna-se a grande companheira de Lampião. Em 1936, o comerciante Benjamin Abraão, com uma carta de recomendação do Padre Cícero, consegue chegar ao bando e documenta em filme Lampião e a vida no cangaço. Esta "aristocracia cangaceira", como define Lampião, tem suas regras, sua cultura e sua moda. As roupas, inspiradas em heróis e guerreiros, como Napoleão Bonaparte, são desenhadas e confeccionadas pelo próprio Lampião. Os chapéus, as botas, as cartucheiras, os ornamentos em ouro e prata, mostram sua habilidade como artesão.

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Após dezoito anos, a polícia finalmente consegue pegar o maior dos cangaceiros. Na madrugada do dia 28 de julho de 1938, a Volante do tenente João Bezerra, numa emboscada feita na Grota do Angico, mata Lampião, Maria Bonita e parte de seu bando.

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AS ONZE CABEÇAS DOS CANGACEIROS ARRUMADAS NA ESCADARIA DA PREFEITURA DE PIRANHAS 

Suas cabeças são cortadas e expostas em praça pública. Lampião e o cangaço tornaram-se nacionalmente conhecidos. Seus feitos têm sido freqüentemente temas de romancistas, poetas, historiadores e cineastas, e fonte de inspiração para as manifestações da cultura popular, principalmente a literatura de cordel.  



Fonte 1: TV Cultura 
Leia mais no Jornal O povo

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LAMPIÃO E O BANDO, QUE CHEGOU A TER QUASE 150 PESSOAS

CURIOSIDADES 
Lampião ganhou esse apelido ao inventar uma técnica que fazia o rifle comum disparar mais rápido, parecendo uma pistola automática – o clarão que saía da boca da arma lembrava a luz de um lampião.
“Sempre respeitei e continuo a respeitar o Estado do Ceará, porque é o Estado de Padre Cícero. Como deve saber, tenho a maior veneração por esse santo sacerdote, porque é o protetor dos humildes e infelizes”.Lampião referindo-se a Padre Cícero, em entrevista de 1926.

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Atendendo ao chamado de Padre Cícero, Lampião esteve em Juazeiro do Norte (CE), nos dias 4, 5, 6 e 7 de março de 1926. Na ocasião, recebeu a patente de Capitão do Batalhão Patriótico para perseguir a "Coluna Prestes". Em 1926, o bando de Lampião passa a contar com armas e uniformes semelhantes aos utilizados pelo exército. Após as "honrarias" e o recebimento de forte armamento, Lampião e seu bando vão embora sem cumprir sua parte no acordo, a partir de então, passam a sofrer grande perseguição policial.

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MARIA BONITA E CANDEEIRO / GATO

Combate de Serra Grande (PE). Em 26 de novembro de 1926 Lampião travou uma das mais intensas batalhas. Cerca de 320 policiais atacaram o grupo de Lampião que contava com 80 homens. A luta durou o dia inteiro e teve como saldo 47 soldados mortos e feridos. Um dos comandantes, sargento Arlindo Rocha, ansioso para atacar disse: “Eu hoje quero almoçar é bala.” Acabou levando, durante o combate, um tiro na mandíbula. De fato, almoçou bala... Ficou conhecido posteriormente como “Queixo de Prata”.

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LAMPIÃO É O PRIMEIRO SENTADO A ESQUERDA
Em 1926, num ato de gozação, Lampião enviou um telegrama ao Governador de Pernambuco dizendo que seria governador de uma determinada área do Estado. Por isso, o apelido “Governador dos Sertões”. 
Durante a emboscada que vitimou o bando, Corisco estava na outra margem do rio e seguiria para Angicos no dia seguinte. Conta-se que ele ouviu os tiros do combate, mas não pode reagir. No dia seguinte, foi a casa de Joca Bernardes, seu coiteiro, assuntar quem havia entregue Lampião. Joca, o próprio culpado, levou o nome de Domingos Ventura, morador da fazenda Patos. Corisco, à revelia das repetidas negações de Domingos, matou quase toda a família e remeteu as cabeças em um saco para João Bezerra.
  
TENENTE JOÃO BEZERRA
João Bezerra, o tenente pernambucano, delegado da cidade alagoana de Piranhas, foi o depositário dos louros pelo assassinato histórico do maior de todos os cangaceiros. Depois do ocorrido, João Bezerra escreveu o livro Como dei cabo de Lampião, mas deixou inacabadas suas memórias. Ele relatava com satisfação como cortou a cabeça de Maria Bonita, ainda viva, agonizando depois dos muitos tiros que recebeu. Conta-se também, que Bezerra era coiteiro de Lampião, fornecendo armas para contrabando.

CABEÇAS DE SERRA BRANCA, ELEONORA E AMEAÇO 4 MESES ANTES DE ANGICOS, MORTOS PELO CAP. BEZERRA

A minissérie "Lampião e Maria Bonita", com Nelson Xavier e Tânia Alves, exibida  pela Rede Globo em 1982, foi a primeira minissérie produzida pela emissora. Ao todo, foram feitos mais de trinta filmes sobre Lampião, entre documentários, curtas e longas.
Leia relatos de um sequestrado aqui

APÓS SABER DA MORTE DO MARIDO, A MÃE DE LAMPIÃO MORRE DE INFARTO (FOTO DE 1926) 
EM PÉ
1-Domingo Paulo (primo) / 3- Ezequiel Ferreira (irmão) 5-João Ferreira (irmão) / 6-Livino Ferreira (irmão) / 7-Francisco Paulo (primo) / 9-José Dandão (agregado)
SENTADOS
1-Antonio Ferreira (irmão)/ 2-Angélica Ferreira (irmã)/ 3-Joana (esposa de João Ferreira) / 4-Mocinha (irmã) / 5-Anália Ferreira (irmã)/ 6-Virgolino Ferreira (Lampião)  


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Apesar de ser semi-analfabeto, Lampião era aficionado por leitura, tinha excelente caligrafia e excelente artesão de couro. Somente de Napoleão Bonaparte, lampião leu três biografias, de onde tirou o modelo para suas roupas e chapéu.

Os "coiteiros" eram parceiros do bando que compravam comida, avisavam quando as "volantes" estavam se aproximando e levavam os recém-nascidos para serem adotados por outras famílias.


CABEÇA DE ZEPELIM  EM 1937 / BANDO APÓS CAPTURA PELA VOLANTE

Após matarem todos do bando, os soldados saquearam seus bens, havia inclusive muito ouro, e para roubar os anéis, cortavam os quatro dedos das mãos de uma só vez, pois não havia tempo para retirar as jóias.

A música "Mulher rendeira" foi composta por Lampião em homenagem a sua avó materna e madrinha, D. Maria Jacosa, que o criou desde os cinco anos e foi quem o ensinou a ler.

 MARIANO, PAI VÉIO (?) ( MORTOS POR ZÉ RUFINO)
CABEÇA DO CANGACEIRO PONTARIA(MORTO POR JOÃO BEZERRA)
Era costume das volantes deceparem as cabeças dos cangaceiros e exporem publicamente, assim como era costume dos cangaceiros "sangrarem" suas vítimas e também fazerem "castrações".

Ao contrário do que muitos falam, Lampião e Padre Cícero tinha forte amizade, para o cangaceiro, o padre era um santo e o venerava. Padre cícero tentou dissuadi-lo do cangaço por várias ocasiões, mas sem sucesso. Tentou também impedir que entrassem mulheres para o bando, também sem êxito por casa da perseverança de Maria Bonita.

CANGACEIRO VILA NOVA E PANCADA APÓS CAPTURA

Em 1938 foi anunciado que passaria, no cine Moderno, o filme sobre Lampião feito por Benjamim Abraão. O DIP apreendeu e sensurou o filme, impedindo sua exposição. Somente em 1954 é que foi apresentado no Rio de Janeiro, mas com muitos cortes, feito pela sensura.

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VERA LÚCIA (NETA) E EXPEDITA (FILHA DE LAMPIÃO E MARIA BONITA)

Lampião e Maria Bonita tiveram uma filha, Expedita Ferreira, que lhes deu 3 netos: Cleyse Mary, Djair e Vera Lucia, esta última, jornalista empenhada em preservar a memória dos avós e corrigir injustiças contadas através dos tempos.

João Ferreira da Silva, conhecido por João Peitudo,  ganhou fama quando disse ser filho de Lampião e Maria Bonita. Após dois exames de DNA, constatou-se que não era verdade. João peitudo faleceu com  62 anos de morte natural no dia 26 de junho de 2000,  em Juazeiro do Norte, a 563 quilômetros de Fortaleza.   

Durante muito tempo, as famílias de Lampião, Corisco e Maria Bonita lutaram para dar um enterro digno aos seus parentes. O enterro dos restos mortais dos cangaceiros só ocorreu depois do projeto de lei no. 2867, de 24 de maio de 1965. As cabeças de Lampião e Maria Bonita foram sepultadas no dia 6 de fevereiro de 1969. Os demais integrantes do bando tiveram seu enterro uma semana depois. 

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LOCAL DA EMBOSCADA ATUALMENTE, COM CRUZES E UMA PLACA DE BRONDE
No dia 23 de março de 1940, a volante Zé Rufino combate o bando. Dadá é gravemente ferida no pé direito; Corisco leva um tiro nas costas, que lhe atinge a barriga, deixando os intestinos à mostra. O casal é transportado, então, para o hospital de Ventura. Devido à gangrena, Dadá (Sérgia Maria da Conceição) sofre uma amputação alta da perna direita, mas Corisco (Cristino Gomes da Silva Cleto) não resiste aos ferimentos, vindo a falecer no mesmo dia. O fiel amigo de Lampião é enterrado no dia 23 de março de 1940, no cemitério da cidade Miguel Calmon, na Bahia. Dez dias após o sepultamento, o seu cadáver foi exumado: decepam-lhe a cabeça e o braço direito e expõem essas partes, também, no Museu Nina Rodrigues. A cabeça de Corisco foi enterrada em 1969 em Salvador.

Fonte 2: Memória do Nordeste, TV Diário
Fonte : Fundação Joaquim Nabuco 


CRONOLOGIA
1898 - Em julho, Virgolino Ferreira da Silva nasce na fazenda Passagem de Pedras, em Vila Bela (atual Serra Talhada, PE).
1916 - Uma invasão de propriedade e pretensos roubos de animais por parte de um morador de Saturnino são os motivos do primeiro tiroteio entre os irmão Antônio, Levino e Virgolino Ferreira, o futuro Lampião.
1920 - O desenrolar das intrigas entre famílias causa a morte de José Ferreira, pai de Virgolino. Os três irmãos entram para o bando de Sinhô Pereira.
1922 - Sinhô Pereira abandona o cangaço e Lampião, assume o comando do bando.
1926 - À convite de Padre Cícero (Juazeiro - CE), Lampião entra na cidade para integrar os Batalhões Patrióticos.
1927 - O bando fracassa na famosa invasão a Mossoró (RN).
1928 - O bando atravessa o rio São Francisco e concentra suas ações nos estados da Bahia e Sergipe.
1930 - Maria Bonita estréia a entrada das mulheres no cangaço (Paulo Afonso, BA). Depois dela entram outras como Dadá (mulher de Corisco), Sila e Durvalina.
1936 - O libanês Benjamin Abrahão, ex-secretário particular de Padre Cícero, fotografa e filme Lampião e seu bando.
1938 - Na Grota de Angicos (Poço Redondo, SE), no dia 28 de julho, Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros foram mortos por volantes alagoanas sob o comando do tenente pernambucano João Bezerra.

Veja site oficial de Lampião
Leia sobre a irmã de Lampião aqui
Leia sobre Corisco no Jornal O Povo
Leia sobre a morte de MORENO no Jornal Diário do Nordeste
Fotos: Benjamim Abraão Botto.

Fonte: Blog Coisas de Cearense.

Dica de Filme: Sedição de Juazeiro (minissérie)



Sedição de Juazeiro é uma minissérie brasileira produzida para a rede pública de televisão cearense, dividida em 4 capítulos, do gênero guerra, baseada no confronto ocorrido em 1914 entre as oligarquias cearenses e o governo federal, e lançada no dia 22 de Agosto de 2012 no Cine-Teatro João Frederico Ferreira Gomes, anexo II da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará.

Aprovada pela CEIC, Comissão Estadual de Incentivo à Cultura, através do I Edital Mecenas do Ceará 2008, foi produzida pelas produtoras JLS Comunicação e Editora e Laser Vídeo em parceria com a APEC, Associação de Estudos e Pesquisa Técnico-Científica, entidade sem fins lucrativos, ligada à Faculdade Integrada da Grande Fortaleza.

Sinopse: Na segunda década do século XX, declara-se uma dualidade de poderes legislativos no Estado do Ceará. Tropas são enviadas de Fortaleza pelo governador Franco Rabelo para Juazeiro do Norte. Padre Cícero, Floro Bartolomeu e seus soldados esperam o ataque. O governo central decreta a intervenção federal no Ceará. Trinfa a Sedição de Juazeiro, a guerra de 1914.

Elenco: Magno Carvalho, Ary Sherlock, Alcântara Costa, Angelim de Icó, Aldo Anísio, Fernando Cattony, Enrique Patrícius e Jean Nogueira.

Direção: Daniel Abreu
Roteiro: JonasLuis DA SILVA, de Icapuí
Produção: Daniel Abreu e Jeanne Feijão
Produção Executiva: Ângela Tavares, José Liberato Barrozo Filho e Marina Abifadel.




SEDIÇÃO DE JUAZEIRO (minissérie completa)

Fonte: Canal do You Tube de JLS Comunicações e Editora LTDA.

A Revolta de Juazeiro do Norte em 1914.


Por Cristine Delphino.

revolta (ou sedição) de Juazeiro foi um confronto que ocorreu em 1914, entre as oligarquias cearenses e o governo federal provocado pela interferência do poder central na política estadual nas primeiras décadas do século XX.
Ocorreu no sertão do Cariri, interior do Ceará, e tinha como liderança o Padre Cícero Romão Batista.
Tudo começou, quando o presidente Hermes da Fonseca  criou a política das salvações com o intuito de conter seus opositores. Através da política das salvações, o atual presidente tinha como promover a intervenção federal  nos estados, evitando assim que oposicionistas fossem eleitos para o governo estadual. Ele tinha como objetivo, neutralizar o poder das oligarquias mais poderosas do Ceará, que estavam sobre o controle do senador gaúcho José Gomes Pinheiro Machado, um político que tinha grande influência entre os coronéis do Norte e Nordeste brasileiro.
Como atual prefeito de Juazeiro em 1911, Padre Cícero entra na disputa contra Hermes da Fonseca para manter a família Acioly no poder. Em 1912, a intervenção federal derrubou a família Acioly do poder. Padre Cícero foi eleito como vice-governador

naquela mesma época e continuou também com o cargo de prefeito de Juazeiro do Norte. Ele era considerado um homem santo no sertão nordestino. Chamavam-no de Padim Ciço.
Em 1914, o então nomeado interventor (governador), o coronel Marcos Franco Rabelo, após romper com oPartido Republicano Conservador, passou a perseguir Padre Cícero, destituindo- o dos cargos que exercia e ordenando a prisão do sacerdote. O deputado federal Floro Bartolomeu, montou um batalhão para defender padre Cícero, que era seu amigo pessoal. O grupo era formado de jagunços e romeiros.
Quando os soldados de Franco Rabelo chegaram em Juazeiro do Norte, se depararam com uma cidade totalmente cercada por um alto muro de pedra, como na época da Idade Média. A construção foi erguida em apenas 7 dias e chamada de Círculo da Mãe de Deus.
Sem condições de destruírem o Círculo, os soldados retornaram á cidade de Crato para pedirem reforços. Franco Rabelo enviou mais soldados e um canhão. Mesmo assim, as forças rabelistas foram facilmente derrotadas pelos revoltosos.
Após a expulsão dos soldados de Franco Rabelo, Floro Bartolomeu vai até o Rio de Janeiro para conseguir mais aliados. Os revoltosos seguem para Fortaleza com o objetivo de derrubar o governador.
No Rio de Janeiro, Floro consegue o apoio do senador Pinheiro Machado. Quando os revoltosos chegaram em Fortaleza, uma esquadrilha da Marinha impôs um bloqueio marítimo em toda a orla da cidade. Cercado, Franco Rabelo foi deposto.
Hermes da Fonseca convocou novas eleições, onde Benjamin Liberato Barroso foi eleito governador e Padre Cícero foi novamente eleito como vice-governador.
Após a revolta, Padre Cícero foi excomungado pela Igreja Católica no fim da década de 1920, mas continuou sendo venerado como santo e profeta pela população camponesa.






O massacre de Caldeirão de Santa Cruz do deserto no sul do Ceará.

Beato José Lourenço

Por Rôney Rodrigues.

Uma comunidade religiosa, liderada por um “beato” é brutalmente massacrada. Estamos falando de Canudos? Não, trata-se de Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, localizada no município de Crato, Cariri Cearense.
A comunidade – que chegou a ter mais de duas mil pessoas – era liderada pelo beato José Lourenço, descendente de negros alforriados e discípulo de Padre Cícero, que ousou desafiar o poder dos latifundiários. Ele propôs um sistema de trabalho coletivo e divisão dos lucros para a compra de remédios e querosene, que alimentava as lamparinas em um tempo em que ainda não havia luz elétrica. Além disso, acolhia os flagelados da seca de 1932, que assolou o Nordeste.
O massacre
Isso, claro, incomodou os coronéis da região, que exigiram providências do governo Getúlio Vargas. Havia o medo que o beato José Lourenço se transformasse em um novo Antônio Conselheiro. Os jornais, então, iniciaram uma série de denúncias contra a comunidade, acusando-os de profanos e fanáticos. Em 1936, o Caldeirão foi invadido pelas tropas do tenente José Góis de Campos Barros que, com muita violência e excesso, expulsaram todos os moradores, saquearam e destruíram o sítio. José Lourenço conseguiu fugir, se refugiando na Serra do Araripe com outros camponeses.

Severino Tavares, membro da comunidade, foi preso, mas jurou vingança. Dito e feito: quando saiu da prisão, juntou alguns ex-moradores do Caldeirão e atacou as tropas comandadas pelo capitão José Bezerra. Isso foi o estopim para o conflito. Em 1937, tropas de todo o estado foram enviadas para a serra do Araripe e até aviões foram usados para bombardear a Serra. O número de mortos é estimado entre 700 a 1000 camponeses.
José Lourenço conseguiu escapar do bombardeio e, após muitas negociações, voltou para o Caldeirão. Mas não ficou muito tempo, os padres salesianos o expulsaram e ele foi morar em Exu, Pernambuco, onde faleceu em 1946, vítima da peste bubônica.


Hoje
A ONG cearense SOS Direitos Humanos, em 2008, pediu na justiça a procura, identificação, enterro digno e indenização dos descendentes dos mortos no Caldeirão. O pedido foi arquivado e ainda não há um documento oficial que registre o massacre. O exército nega o massacre.
Imagem panorâmica do sítio Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, durante a 13ª Romaria do Beato José Lourenço (2012).

Imagem: Arquivo Caldeirão Vivo
Fotógrafo: Markin Lima.

ASSISTA AO DOCUMENTÁRIO ABAIXO.


Caldeirão do beato Zé Lourenço - Documentário da TV Assembleia do Ceará - 04/02/2012


Sinopse: O Documentário sobre Caldeirão do beato Zé Lourenço foi apresentado durante o Seminário Nacional das CEBs, de 26/01/2012 no Crato, Ceará, rumo ao 13o Intereclesial das CEBs, que acontecerá de 7 a 11/01/2014, em Juazeiro do Norte, CE. Na ocasião visitamos a região de Caldeirão, onde o beato Zé Lourenço liderou uma comunidade cristã e socialista que resistiu de 1926 a 1936. Chegou a ser chamada de Nova Canudos. Cf., nesse vídeo-documentário da TV Assembléia do Ceará. Belo Horizonte, MG, 05/02/2012.


Documentário: Canal TV Assembléia no You Tube.


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Dica de Filme: O Quinze.


Sinopse

Muitos não conseguiram sobreviver à grande seca que atingiu o sertão central do Ceará. No limite de seu corpo, a jovem professora Conceição (Karina Barum) se muda para a fazenda de sua avó Mãe Inácia (Maria Fernanda Meirelles), no município de Quixadá. Em um cenário de pragas, gados raquíticos e árvores secas, ela se apaixona pelo seu primo fazendeiro, Vicente (Juan Alba), que apesar de também se envolver com a moça, parece estar mais preocupado com os problemas de sua terra. Nos arredores e com as mesmas dificuldades, vive Chico Bento (Jurandir Oliveira), um humilde vaqueiro que é mandado embora da fazenda que trabalhava. Sem perspectivas na pequena cidade, o homem e seus familiares partem para a capital Fortaleza em uma caminhada pela sobrevivência.




O Quinze (2004) - Um filme de Jurandir de Oliveira.

Obs.: Infelizmente não foi possível postar o filme na íntegra, mas os leitores da Academia Virtual de História, poderão assistir 1 hora e 3 minutos do Filme: O Quinze.

Fonte: InterFilmes.com 


Especial 100 anos da Seca do Quinze.

O Diário do Nordeste elaborou um especial em comemoração aos 100 anos da grande e famosa Seca de 1915, descrita pela escritora cearense Raquel de Queiroz. 








Fonte: Diário do Nordeste.

Dica de Livro: O Quinze, de Raquel de Queiroz.



Resumo.

Rachel de Queiroz estreou na literatura brasileira com a publicação do livro O Quinze, seu primeiro romance, em 1930. Foi a primeira mulher a fazer parte da Academia Brasileira de Letras. A obra, pouco tempo depois de ser publicada, foi alvo de críticas dos intelectuais e autoridades da época, visto que abordava a grande seca que ocorreu no nordeste brasileiro no ano de 1915.
          Dividida em dois planos a narração prende o leitor do começo ao fim. Rachel procurou sensibilizar o leitor descrevendo de forma crítica e, ao mesmo tempo, emocionante a triste realidade do povo nordestino que, assolado pela seca e a miséria social, é forçado a migrar da sua região de origem em busca de melhores condições de vida nos grandes centros urbanos.
          No primeiro plano se destaca o amor impossível entre Conceição e Vicente. Ambos são completamente diferentes um do outro, tanto em nível social como intelectual. Conceição é uma jovem educada e inteligente que gosta de ler obras a respeito da emancipação feminina na sociedade e a luta inconstante pelos seus direitos e igualdade de gêneros. Já Vicente é um sertanejo rude, forte e obstinado que vive e se dedica à criação de animais, sobretudo bovina, na fazenda do Logradouro em Quixadá, atualmente uma cidade universitária e turística do Ceará.
          No segundo plano se destaca o sofrimento doloroso da família de Chico Bento que, forçada pela seca impiedosa e devastadora, é obrigada a migrar para a capital Fortaleza em busca de sobrevivência e, acima de tudo, de condições dignas para sobreviverem numa região castigada, de tempos em tempos, por longas e duradouras secas. Chico Bento, os filhos e a esposa Cordulina trabalhavam e viviam como moradores da velha Dona Maroca que mandou soltar o gado por conta do longo período de estiagem.  Sem emprego Chico Bento decide migrar para a capital, no entanto, não consegue comprar as passagens de trem e é obrigado pelas circunstâncias, juntamente com a família, a migrar a pé de Quixadá à Fortaleza. No percurso enfrentam muitas dificuldades, como a fome e a sede causadas pelos raios escaldantes do sol. O alimento que levavam - rapadura e farinha - logo se acaba e aumenta-se o sofrimento, principalmente para as frágeis e pequenas crianças. Chico Bento, em certo momento do caminho, encontra outro grupo de retirantes que esfolava um cadáver de uma vaca que havia morrido do mal dos chifres. Os retirantes há dias que não se alimentavam estavam resolutos em ingerirem a carne doentia do animal. Chico Bento, dolente com a situação e, ao mesmo tempo, constrangido e com asco, decide dividir o pouco alimento que restava com os novos amigos.
         Certo dia, esfaimado, Chico Bento encontra uma cabra no caminho e, sorrateiramente, a mata para saciar a fome da família moribunda. Entretanto, o dono do animal logo chega ao local e começa a descompor Chico Bento com palavras mesquinhas e pejorativas. Mesmo insistindo por um mísero pedaço de carne, para fazer um caldo à família esfomeada, o homem dá-lhe apenas as vísceras do animal já falecido. Sem água para limpar e sal para salgar as tripas, Cordulina apenas escorre as fezes com as mãos e assa as vísceras, insossa, no fogo improvisado. Em pouco tempo o mísero alimento é digerido por todos.
          Um dos filhos do casal, o Josias, morreu durante a caminhada enfadonha por ter comido uma raiz crua de mandioca. Cordulina ficou com o coração confrangido após a perda do filho. Outrora, Pedro, o filho mais velho do casal, sumiu-se durante a noite. Decerto havia fugido com outro grupo de retirantes. Mocinha, a cunhada de Chico Bento, decidiu morar e trabalhar para uma velha senhora chamada de Sinhá Eugênia. Todavia, não passou muito tempo convivendo com a velha rabugenta e saiu perambulando mundo a fora, de mão em mão, até engravidar.
           Conceição conseguiu convencer a sua avó, Inácia, a mudar-se para Fortaleza. A velha hesitou em ir, visto que há anos morava no Logradouro. Já em Fortaleza Conceição trabalhava como professora e ajudava, voluntariamente, no campo de concentração onde ficavam os flagelados da seca. A família de Vicente, por conta da seca terrível, se muda para Quixadá, porém ele continua resoluto trabalhando em prol dos animas descarnados e esqueléticos.
            Ao chegarem ao campo de concentração, em Fortaleza, Chico Bento e a família encontram Conceição que os ajuda a comprarem passagens com destino à São Paulo. Conceição sendo madrinha do filho mais novo do casal, o Duquinha, pede para criá-lo como filho. A princípio o casal hesita, mas depois são convencidos a entregá-lo à madrinha que desejava torná-lo “alguém na vida”.
           Já em dezembro as primeiras chuvas começam a cair trazendo consigo a alegria e a esperança de uma vida melhor ao povo nordestino. Dona Inácia volta para sua terra natal - o Logradouro -, já Conceição decide ficar em Fortaleza chateada com Vicente após ouvir boatos de que ele estava de namorico com Mariinha.

Biografia


Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza, Ceará, a 17 de novembro de 1910. Em 1917, deixa o Ceará, quando sua família migra para o Rio de Janeiro, procurando esquecer os horrores da seca de 1915. Em 1919 voltou a Fortaleza, matriculando-se em 1921, no colégio da Imaculada Conceição, onde fez o curso normal e diplomou-se aos 15 anos de idade.

       Em fins de 1930, estreia com o romance O Quinze, onde este ganhou imensa repercussão ao abordar a luta de um povo contra a miséria e a seca. Autora de outros romances como João Miguel-1932, Caminho de Pedras-1937, As três Marias-1935 e vários outros, deixou o seu nome imortalizado na literatura brasileira e, sobretudo na memória dos leitores.




Fonte: Resumo elaborado por Marcondes Torres e postado no Blog vida de Estudante. 

HISTÓRIA DE PACOTI - CEARÁ

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