quarta-feira, 18 de novembro de 2015

“O Rio Doce está morto” e a tragédia se alastra a caminho do mar.

A tragédia em Mariana é só o início de uma catástrofe ambiental imensurável/ Foto Antonio Cruz/Agência Brasil


Autor: Redação do Jornal Já
Novembro de 2015
Contaminado, o Rio Doce está morto. Análises laboratoriais encomendadas pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Baixo Guandu, na margem Capixaba do rio, a quase 400 quilômetros de Mariana, mostram resultados assustadores. Na onda de rejeitos das barragens da Samarco rompidas em Mariana, foi detectada a presença de partículas de metais pesados como chumbo, alumínio, ferro, bário, cobre, boro e até mesmo mercúrio.
Luciano Magalhães, diretor do SAAE, definiu a situação como aterradora. “A situação pode ser resumida em duas palavras: rio morto. Na terça-feira (10), foram recolhidas amostras de três pontos do rio: no Centro de Governador Valadares, uma água muita densa de rejeitos, outra 10 quilômetros abaixo de Valadares e em Galileia. “A do Centro estava inviável de captação, impossível de tratar”, afirmou.
A Samarco foi multada em R$ 250 milhões por danos ambientais, e a Justiça mineira bloqueou outros R$ 300 milhões para reparar parte dos danos às vítimas. Em 2014, a empresa, sociedade entre a Vale do Rio Doce e a mineradora anglo-australiana BHP Billiton, faturou R$ 7,5 bilhões e teve lucro líquido de R$ 2,8 bilhões.
Hoje (16), o Ministério Público de Minas Gerais firmou acordo com a pagamento de uma caução socioambiental inicialmente de R$ 1 bilhão, a ser administrado pela própria empresa, sob auditoria a ser indicada pela promotoria.
Marilene Ramos, presidente do Ibama, alerta para a falta de segurança das barragens brasileiras. “Este é o quinto desastre em dez anos. Segundo ela, a Samarco informou a Ibama ter comprado grande quantidade de “floculantes”, um produto de origem vegetal que faz com que os sedimentos na água se aglomerem e se desloquem para o fundo. Também está construindo 20 quilômetros de diques para proteger manguezais e a reprodução de espécies.
Agora é buscar alternativas para captação de água. “Já estamos fazendo um canal de desvio do Rio Guandu até a estação elevatória do SAAE”, informa Magalhães.
Nos municípios de Baixo Guandu e Colatina, que dependem da água do Rio Doce para captação, a lama contaminada deve começar a chegar a partir de hoje, conforme previsão do Serviço Geológico do Brasil (CPRM).
Linhares, na foz do Rio Doce, também será atingida, provavelmente dia 19. Lá, os danos serão sobretudo na pesca, mas não deve prejudicar o abastecimento de água. O município utiliza o Rio Pequeno para a captação para consumo humano.
Em Mariana, o prefeito Duarte Júnior calcula em mais de R$ 100 milhões os prejuízos materiais, só imóveis destruídos foram mais de 180, deixando 600 desabrigados. Foram identificados 7 corpos, 4 aguardam identificação, 18 continuam desaparecidos.
A mineração é responsável por 80% da arrecadação do município. “A cidade não diversificou sua atividade econômica”, disse. Ele suspendeu temporariamente o recebimento de donativos. “O que falta agora são voluntários para fazer a triagem”, pede o prefeito de Mariana.
Em Baixo Guandu (ES), 400 quilômetros rio abaixo, o prefeito Neto Barros cobra medidas para assessorar os municípios que serão atingidos pela onda de lama no Estado, a chegada dos dejetos nas cidades e no mar, o que implicará em catástrofe ambiental.

Fonte: Jornal Já
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